No nosso cotidiano, falar sobre autenticidade virou quase automático. Todos desejamos ser autênticos e verdadeiros, mas, curiosamente, poucos se perguntam: estamos mesmo vivendo de acordo com quem somos ou estamos, na verdade, caindo nas armadilhas do autoengano? Essa dúvida pode surgir em momentos simples, como uma conversa com amigos ou decisões difíceis no trabalho. Por isso, refletir e perceber as diferenças entre autenticidade e autoengano pode transformar profundamente nossa maneira de existir e se relacionar.
O que significa ser autêntico?
Ao pensarmos em autenticidade, logo nos vem a ideia de “ser quem somos”. Mas afinal, o que isso representa na prática? Em nossa experiência, autenticidade não é apenas expressar uma opinião ou agir “sem filtros”. Viver de forma autêntica exige consciência constante sobre nossos sentimentos, valores e intenções.
Ser autêntico é alinhar o que sentimos, pensamos e fazemos de forma honesta, transparente e respeitosa consigo e com os outros.
Muitas vezes, notamos que existem mitos sobre autenticidade, como o de que basta “falar tudo o que pensamos” para sermos autênticos. Mas a verdade é que autenticidade está fortemente ligada à coerência interna e ao respeito mútuo, não ao impulso desenfreado. Isso significa escutar o que se passa dentro de nós, assumir falhas e desconfortos, e agir de acordo com aquilo que acreditamos ser justo, mesmo que não seja fácil.
O que é autoengano e como ele age no cotidiano?
O autoengano é mais sutil do que gostaríamos de admitir. Ele acontece quando criamos justificativas para atitudes que não estão alinhadas com nossos valores, ou quando ignoramos partes de nós mesmos que consideramos desconfortáveis. Pode ser um mecanismo inconsciente para evitar dor, culpa ou ansiedade diante de situações complexas.
O autoengano nos afasta de nossa própria verdade e faz com que acreditemos em narrativas que criamos para nos proteger.
No dia a dia, o autoengano aparece em frases como “isso não me afeta”, “eu não tinha escolha” ou “é assim mesmo”. São formas de fugir da responsabilidade sobre nossas escolhas ou de adiar uma mudança necessária.

Como diferenciar autenticidade de autoengano?
Reconhecer essa diferença pode ser um grande desafio. Ao longo dos anos, percebemos que há alguns pontos que ajudam nesse processo:
- Consciência interna: Autenticidade nasce da nossa capacidade de perceber nossos estados internos, emoções, pensamentos, desejos e medos. Quando ignoramos ou minimizamos sentimentos desagradáveis, o autoengano se instala.
- Autoquestionamento constante: Perguntar-se “Por que estou fazendo isso?” pode revelar motivações profundas e, às vezes, escondidas, que nos levam a agir de modo autêntico ou de acordo com um autoengano.
- Capacidade de reconhecer limites: Ser autêntico não significa agradar a todos ou bancar herói de todas as situações. Autoengano pode nos levar a assumir papéis que não cabem, apenas para evitar conflitos ou sentir-se aceito.
- Abertura ao desconforto: Autenticidade envolve enfrentar situações desconfortáveis, admitir erros e conviver com críticas. No autoengano, buscamos justificar nossos atos para fugir desse desconforto.
- Escuta ativa do outro: Ao nos abrirmos ao feedback sincero e construtivo de pessoas de confiança, ampliamos nossa percepção da realidade. O autoengano, por outro lado, se alimenta de evitar críticas e isolar opiniões divergentes.
Autenticidade questiona e transforma, enquanto o autoengano confirma e mantém zonas de conforto.
As raízes do autoengano: por que é tão difícil reconhecê-lo?
Frequentemente escutamos relatos de pessoas que, ao olharem para trás, percebem o quanto se enganaram sobre si mesmas em certas fases da vida. Já passamos por isso, e sabemos que esse é um fenômeno comum. O autoengano se alimenta de três grandes raízes:
- Medo da rejeição: Procuramos corresponder às expectativas dos outros (família, amigos, sociedade), muitas vezes ignorando desejos genuínos.
- Dificuldade em lidar com fracassos: Preferimos inventar justificativas a assumir responsabilidades por escolhas que deram errado.
- Fuga do autoconhecimento profundo: Evitar se olhar de perto é mais confortável do que assumir quem realmente somos.
Esses mecanismos são poderosos justamente porque atuam no automático. Por isso, muitas vezes, é preciso coragem para fazer um movimento honesto de autoavaliação.

Como cultivar autenticidade no dia a dia?
Trabalhar pela autenticidade é um exercício que pode e deve ser feito sempre, mesmo quando falhamos. Em nossa trajetória, percebemos que alguns caminhos ajudam a manter o foco:
- Praticar a autoescuta diária: Reflita diariamente sobre sentimentos, limites e motivações.
- Valorizar o silêncio e a pausa: Momentos de silêncio revelam muito sobre o que estamos evitando ou sentindo.
- Buscar apoio em conversas sinceras: Pessoas de confiança podem trazer perspectivas inesperadas sobre atitudes e crenças.
- Assumir erros e aprender com eles: O erro, quando reconhecido, nos convida a crescer e alinhar ações ao que acreditamos.
- Evitar se comparar constantemente: O excesso de comparação reforça padrões de autoengano e enfraquece nossa autenticidade.
A autenticidade floresce onde há coragem para ser vulnerável.
O impacto da autenticidade nas relações e escolhas
Quando conseguimos agir de forma mais autêntica, criamos vínculos mais verdadeiros e duradouros. Notamos que decisões importantes, seja no trabalho, na vida pessoal ou em grupo, se tornam mais claras e coerentes.
A autenticidade impacta a forma como conduzimos diálogos, resolvemos conflitos e nos posicionamos diante de dilemas éticos.
Nas relações, ser autêntico gera confiança, facilita a escuta e diminui mal-entendidos. Sentimos que a vida ganha leveza e sentido quando nos permitimos agir com verdade, mesmo diante de riscos e desafios. Essa escolha contínua pela coerência interna reflete em saúde emocional, estabilidade nas relações e um sentimento genuíno de pertencimento.
Conclusão
Distinguir autenticidade e autoengano exige atenção, prática e honestidade, elementos que só desenvolvemos ao longo do tempo. Ao olharmos para dentro e nos questionarmos com sinceridade sobre quem somos e como agimos, abrimos caminho para decisões mais alinhadas à nossa verdade.
Entrar em contato com a autenticidade é uma jornada diária, feita de pequenas escolhas e de disposição para confrontar as próprias narrativas. Quando aceitamos transitar pelo desconforto e pela dúvida, construímos um modo de viver mais pleno, livre e conectado, tanto conosco quanto com quem está à nossa volta.
Perguntas frequentes
O que é autenticidade no dia a dia?
Autenticidade no dia a dia é agir de acordo com o que realmente sentimos e acreditamos, mantendo coerência entre intenções, pensamentos e ações, mesmo diante de dificuldades ou pressões externas. Isso se traduz em escolhas sinceras, abertura para reconhecer fraquezas e disposição para respeitar quem somos e quem está ao nosso lado.
Como identificar o autoengano em mim?
É possível identificar o autoengano percebendo justificativas internas muito frequentes, evitando reflexões desconfortáveis ou percebendo um padrão de desculpas recorrentes diante de situações de insatisfação. O autoengano costuma se manifestar quando fugimos da nossa própria verdade para evitar dor ou frustração.
Autenticidade e autoengano são iguais?
Autenticidade e autoengano são opostos: enquanto um envolve assumir a verdade sobre si mesmo, o outro implica em ignorar essa verdade para evitar sofrimento ou rejeição. O primeiro gera liberdade e confiança, já o segundo, aprisiona e distorce as relações conosco e com os outros.
Como evitar o autoengano diariamente?
Para evitar o autoengano, é importante praticar a autoescuta, o questionamento honesto sobre as próprias intenções e a busca por conversas sinceras com pessoas de confiança. Adotar uma postura aberta a críticas, reconhecer limites e ter coragem de admitir erros contribuem para diminuir o espaço do autoengano no cotidiano.
Vale a pena buscar mais autenticidade?
Vale sim buscar mais autenticidade, pois ela fortalece vínculos, aumenta a autoconfiança e favorece escolhas mais alinhadas com a nossa essência. O caminho pode ser exigente, mas os frutos dessa busca são relações mais saudáveis, leveza emocional e clareza na tomada de decisões.
